Brazilian CyberSecurity Index

Uma visão de cinco anos do mercado de Segurança da Informação no Brasil

Pesquisa Nacional BugHunt 2021–2026
01

Uma série histórica sobre o amadurecimento da segurança da informação no Brasil

Em 2021, a BugHunt deu início a esta série histórica sobre o mercado brasileiro de Segurança da Informação (SegInfo). Na época, o principal obstáculo das empresas era convencer seus decisores a investir. A área era técnica, restrita ao time de TI e raramente chegava aos C-Levels.

Em 2026, esse debate acabou, já que 96% das empresas brasileiras investem em SegInfo. Mas esse não é o número mais importante desta série.

Os dados que realmente contam a história são outros:

Maturidade
14%67%
empresas com mais de cinco anos de investimento contínuo em SegInfo
Ameaça
28%58%
avanço do phishing como principal ameaça, no mesmo período em que o mercado mais investiu em proteção
Compliance
91%
das empresas adotaram compliance como critério permanente de decisão
Bug Bounty
56%
das empresas maduras se tornaram promotoras do Bug Bounty
Próximos 2 anos
63%
pretendem adotar IA na SegInfo nos próximos dois anos

É esse conjunto de movimentos que define o momento atual. O Brazilian CyberSecurity Index foi construído para quem já não está respondendo se vale investir em SegInfo, mas pensando em como sustentar e evoluir o que já está em plena operação.

02

O que mudou

Cinco anos de dados revelam uma mudança de fase. O mercado brasileiro de SegInfo saiu de um ciclo de construção e entrou em um ciclo de operação. E isso muda a natureza dos problemas.

Antes, o desafio era convencer o C-Level, o financeiro, o time de TI. Para a maioria das empresas, esse ciclo está encerrado.

O desafio agora é outro: como uma área que sempre precisou justificar sua existência, aprende a operar com a consistência de qualquer função estratégica do negócio. Com método, cadência e entrega mensurável.

Esse novo ciclo começa com uma restrição concreta.

39% não pretendem aumentar mais o orçamento de SegInfo. Outros 37% crescem no máximo 10%, o suficiente para cobrir a inflação. Sobra um caminho: fazer melhor com o que já existe.
03

A travessia em cinco anos

Esse trajeto passa pelas quatro edições da pesquisa. Cada uma capturou uma fotografia específica do cenário e a curva entre elas explica como o mercado chegou até aqui.

2021
o ano da reação

A digitalização forçada pela pandemia mostrou que 36% das empresas não estavam preparadas para o trabalho remoto. SegInfo era pauta de TI, não de diretoria. O investimento existia em 72% das empresas, mas à margem das decisões estratégicas.

2022
o ano da estrutura

Quando 82% das empresas já investiam na área e quase metade alocava mais de R$300 mil por ano. Enquanto 79% se declaravam adequadas à LGPD. A SegInfo começou a escalar para as diretorias, mas ainda como resposta regulatória, não como estratégia.

2024
o ano da consciência

O tema cruzou a fronteira do cultural: 65% dos respondentes relataram consumir notícias de cibersegurança diariamente e 30% das lideranças falavam do assunto com frequência. O vocabulário de SegInfo migrou dos relatórios de TI para as reuniões de diretoria.

2026
o ano da continuidade

Agora, 96% investem em SegInfo, 67% fazem isso há mais de cinco anos e 61% apontam melhoria contínua como prioridade. A pauta deixou de ser sobre adotar e passou a ser sobre sustentar o que já está em operação.

04

A nova pergunta da área de segurança

Quando 96% das empresas estão dentro, o indicador deixa de diferenciar. Perguntar se uma empresa investe em SegInfo virou o mesmo que perguntar se ela tem contabilidade. Ou seja, a resposta esperada é sim, e isso não diz nada sobre como ela opera.

A pergunta que passou a importar é outra: há quanto tempo essa empresa investe?

Tempo de investimento contínuo é o que separa uma área em construção de uma área consolidada, isto é, com time formado, processos definidos e ferramentas rodando. É aí que o nível de maturidade aparece.

Em meia década, quase metade do mercado cruzou a fronteira da maturidade operacional. Isso muda tudo sobre o que se espera dos profissionais da área e das empresas.

Numa operação madura, o desafio deixa de ser construir e passa a ser extrair mais do que já existe. Respostas mais rápidas, entregas mais previsíveis, ritmo que acompanha os avanços do mercado digital.

No financeiro, a conversa sobre orçamento deixa de ser ‘quanto investir’ para proteger e passa a ser qual é o ROI do que já foi investido. Na alta direção, o foco sai de incidentes isolados e vai para a arquitetura como um todo. Existe uma diferença significativa entre um portfólio caro de ferramentas operando em paralelo e um sistema de segurança realmente funcional.

SegInfo deixou de ser um projeto e passou a ser uma função permanente do negócio. A cobrança que vem junto é proporcional.

05

Os ataques quase não mudaram

Havia uma expectativa razoável: num mercado que multiplicou investimentos em proteção, os ataques recuariam, ou se tornariam mais sofisticados. Nenhuma das duas teses se confirmou.

Os ataques mais reportados em 2026 são, com pequenas variações, os mesmos de 2021. O que mudou foi a frequência.

O phishing não ataca sistemas. Ataca comportamento. E comportamento humano não escala com o orçamento. Uma pessoa cansada clica. Uma pessoa apressada clica. Uma pessoa sobrecarregada clica. Nenhuma ferramenta resolve isso sozinha.

Quanto mais a empresa cresce, mais superfície ela oferece. O atacante não ficou mais inteligente, ficou mais constante.

O comparativo histórico revela dois movimentos. Primeiro: enquanto ransomware oscilou, malware recuou e vazamento de dados teve pico em 2024 com queda posterior, o phishing cresceu em todas as edições. Ataques que dependem de comportamento humano têm uma resiliência que ataques puramente técnicos não têm.

Segundo: a partir de 2026, a lista de vetores ficou mais densa. Falha de autenticação (31%), exploração de vulnerabilidades (23%), indisponibilidade de sistemas (19%). Os ataques tradicionais não diminuíram, o atacante expandiu o repertório enquanto as operações focavam nos vetores conhecidos.

Superfície de exposição e superfície de validação raramente crescem no mesmo ritmo. Por isso, cada API exposta, cada nova integração, cada release frequente precisam entrar no escopo de quem protege.

06

Para onde foi o dinheiro

Em 2021, o modelo era simples: time interno, pentest pontual, campanha de conscientização. Duas camadas, técnica e comportamental, operando de forma independente.

Em 2026, esse modelo não existe mais. Não porque as empresas o abandonaram, mas porque o ambiente digital que precisam proteger o tornou insuficiente.

A operação de SegInfo se distribuiu em cinco frentes. O que chama a atenção não é só o crescimento do investimento em cada uma, é o fato de que nenhuma delas, sozinha, fecha o problema.

Ter as cinco camadas ativas não significa que elas funcionam juntas. Uma empresa com infraestrutura sólida pode falhar em compliance setorial. Uma com governança bem desenhada pode ser comprometida por um clique. Cada camada cobre uma exposição que as outras não fecham e a ausência de integração não é ineficiência, é risco.

O perfil de quem decide também mudou. Governança, compliance e treinamento não são mais pauta exclusiva da área técnica. SegInfo em 2026 exige os times jurídico, riscos e diretoria na mesma mesa. O problema de lideranças que operam isoladas raramente é ferramental, é de interlocução.

07

Compliance virou parte do dia a dia

Quando a LGPD entrou em vigor, em setembro de 2020, ela funcionou como gatilho. Em 2021, metade das empresas declarou ter começado a investir em SegInfo por causa da lei. Em 2024, 27% ainda citavam compliance como motivador principal. A regulação era, sobretudo, um prazo.

Em 2026, essa relação mudou de natureza.

A LGPD deixou de ser ponto de partida e passou a ser um filtro permanente. Adequação tem data de encerramento, critério de priorização, não. Toda nova ferramenta, integração e processo precisam ser avaliados à luz do peso regulatório.

Em setores como finanças, saúde e telecom, isso deixou de ser escolha e virou parte da operação. O calendário regulatório precisa estar mapeado no roadmap com a mesma antecedência de qualquer outro ciclo de planejamento. Improviso em compliance, em mercado regulado, tem custo imediato.

08

Os obstáculos não saíram

Os três principais obstáculos para implementar SegInfo são praticamente os mesmos nas quatro edições, na mesma ordem, com variação mínima.

Era razoável esperar que pelo menos alguns tivessem sido superados com a maturidade do mercado. Não foram. O que aconteceu foi algo mais sutil: esses obstáculos não foram resolvidos. Foram absorvidos pela operação, com diferentes graus de êxito em cada empresa.

09

Bug Bounty deixou de pedir explicação

De todos os indicadores desta série, a trajetória do Bug Bounty é a que melhor traduz a mudança de fase do mercado brasileiro de SegInfo. Não apenas porque os números cresceram, mas porque o que eles medem mudou.

Em 2021, Bug Bounty precisava ser explicado toda vez e 83% das empresas afirmavam conhecer o modelo, mas apenas 24% pensavam em adotar. Era percebido como prática de grandes plataformas globais, distante da realidade brasileira.

2026
79%
conhecem o modelo
2026
48%
já utilizam ou planejam adotar nos próximos dois anos
2026
56%
se declaram promotoras: já usaram, voltariam a usar e recomendam

Empresas com mais de cinco anos de investimento contínuo em SegInfo já passaram pelo pentest, têm time interno e operam processos de revisão. O que falta nesse estágio não é ferramenta, é validação externa contínua sobre o que está em produção. É aí que o Bug Bounty encontra seu espaço.

10

2026: orçamento parado, cobrança subindo

Há um dado da quarta pesquisa que não virou headline, mas talvez seja o que melhor define o tom do que está por vir.

O que torna esse número relevante não é o corte em si, é o contraste. A cobrança sobre a área não diminuiu. Num mercado em que 67% das empresas operam há mais de cinco anos, a expectativa interna cresceu. Mais maturidade significa mais exigência, com menos orçamento adicional para atendê-la.

Resposta, remediação e detecção aparecem mais abaixo não porque perderam importância, mas porque já foram incorporadas como base. O mercado parou de contar as capacidades que considera obrigatórias.

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O plano para os próximos dois anos

Se os capítulos anteriores contam o que aconteceu, este mostra o que está por vir. O que as empresas brasileiras planejam para os próximos dois anos redesenha o perfil da SegInfo no Brasil, de formas que ainda estão sendo compreendidas, inclusive por quem está dentro da área.

Os planos para os próximos dois anos revelam um mercado que busca velocidade sem perder controle. IA lidera com 63%, o indicador mais promissor e o que carrega mais ressalvas: modelo erra, alucina e, em SegInfo, isso tem consequência real. Automação e orquestração (51%) seguem a mesma lógica: quando o time não cresce na proporção do escopo, automatizar vira pré-requisito, mas automatizar sem critério multiplica erros em escala.

Zero Trust (49%) reflete uma mudança que já aconteceu: com o trabalho híbrido e ambiente em nuvem, identidade e contexto viraram a nova base de controle. Cloud (40%), segurança para aplicações (34%) e Bug Bounty (24%) completam o plano, sendo que o Bug Bounty, somando intenção à base atual, deve alcançar um terço do mercado nos próximos dois anos.

As seis tecnologias compartilham uma característica: todas ampliam a capacidade de defesa e, simultaneamente, ampliam a superfície de exposição. Cada integração nova é uma porta nova. Cada modelo de IA novo é uma superfície nova a ser validada.
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Recomendações para o próximo ciclo

Cinco anos de dados, quatro edições e 240 empresas acompanhadas convergem para um argumento sobre o que o próximo ciclo exige da área de SegInfo no Brasil.

1

Operação, não projeto

Com 96% investindo, o argumento da relevância acabou. O que conta agora é o que a área entrega por ciclo.

2

Método antes de ferramenta

67% das empresas já passaram da fase de implementação. O gargalo não é orçamento. É rotina.

3

A primeira linha é permanente

Phishing dobrou enquanto o mercado mais investia em proteção. Treinamento contínuo não é o mais vistoso do roadmap. É o mais decisivo.

4

Compliance como filtro, não projeto

91% usam regulação como critério de decisão. O calendário regulatório precisa estar no roadmap, do diretor ao analista.

5

Validação externa contínua

O controle interno enxerga o que o time conhece. O que o time não viu só aparece de fora. 56% das empresas que conhecem o Bug Bounty se declaram promotoras.

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Três perguntas para fechar

A leitura cruzada das quatro edições converge para três perguntas. São elas que separam a área de segurança que vai sustentar a operação no próximo ciclo daquela que vai operar por reação.

01

Sua empresa tem método ou só tem ferramenta?

Ter as melhores soluções não equivale a entregar os melhores resultados. O que orienta a decisão da área hoje, indicador, calendário, prioridade declarada, ou o volume de incidentes que aparecem?

02

Sua SegInfo evolui no ritmo do produto?

Quantas vezes por semana o time de desenvolvimento entrega algo novo em produção? A área de segurança valida nessa mesma cadência, ou opera em ciclo trimestral enquanto o ambiente muda diariamente?

03

Você sabe o que está exposto e ainda não foi testado?

Auditoria interna captura o que o time enxerga. Validação externa captura o que o time não viu. Que parcela da superfície atual passou por um olhar de fora recentemente?

As três perguntas vão aparecer no próximo ciclo de qualquer forma, vindas da diretoria, do board, do auditor ou de dentro da própria área. Quem responde antes opera com clareza. Quem responde depois opera por reação.
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